23 de dezembro de 2012

Um Milhão de Ondas

Começa um quebra-cabeça novo. Primeiro dia, primeira peça. Foi assim, dia após dia, peça após peça. Quanto mais escura fosse, pior pra peça. 300º dia, digo, peça. Aquela peça da quina do quebra-cabeça, que muita gente julga insignificante. Ele mesmo pensou ser, até quando botou no quebra cabeça e viu que ela era extremamente detalhada. Colocou no quebra-cabeça e o finalizou. A figura era uma onda. Numa praia de água clara, porém quase sem espuma. É, pra ele que tinha uma conexão com ondas aquele deve ser o quebra-cabeça perfeito.

30 de outubro de 2012

Zé do Caroço



Cigarro na mão direita. Pernas cruzadas e a mão esquerda repousando sob as mesmas. Comentários pontuais. Ele sempre levanta a mão antes de falar, é Só mais uma mania dele. Enquanto todos reclamavam da chuva ele levanta a mão e fala:
- Rio de Janeiro é bonito até com chuva, ô cidade do caralho!
O silêncio prevaleceu, nada puderam fazer a não ser concordar. Tinha mania de falar palavrão, todas as frases dele tinham pelo menos um. "A alma guarda o que a mente tenta esquecer", dizia ele, que tinha Nego Drama, dos Racionais, como mantra.
O assunto chega, então, na violência do Rio. Ele apaga o cigarro, levanta a mão e fala com autoridade:
- Mano, não morra. Mas também não mate.
De novo concordaram com ele, mas dessa vez o assunto continuou e chegou no mensalão. Uma pessoa da mesa questiona se 40 anos de cadeia não seria muito. Zé logo respondeu, com autoridade (dessa vez sem levantar as mãos):
- Vai se fuder, porra, roubaram nosso país.
Logo depois, como despedida, levanta a mão e fala num tom moderado. "Viva a alienação carioca." E então se levanta, termina a sua cerveja e vai para sua casa no Morro do Pau da Bandeira, fumando o último cigarro do maço.

23 de agosto de 2012

Janta


Tá escuro, se não fosse o monitor com a sua foto aberta não estaria vendo nada. Mas assim é bom. Me perco em você e me acho em você. Gosto de escrever, você sabe disso, às vezes até elogia (mesmo eu achando que você faz isso pra me agradar). Mas tá tarde, to meio atordoado, pensei em você o dia inteiro. Minha fascinação em "Baby I'm Sure" me fez escrever isso. Já te falei que essa música lembra você? Ela é fofa, ela me acalma. Amo quando você imita a franja da Mallu e tenta imitá-la. Mas entenda, prefiro você. (mas não pare de fazer isso, ok? ok) Vou dormir, amanhã tenho que acordar cedo. "Manhã cedo agora é bom de levantar". Quando terminar de ler me acorda e me abraça.

30 de julho de 2012

O quarto é o mundo


O quarto. O mundo. O quarto é o mundo. O quarto é o seu mundo. Longe do mundo, no quarto ele descobria coisas. Ele descobria um mundo. Um mundo novo, um mundo particular, um mundo bêbado, um mundo estranho. Tinha sono. O quarto era melhor. O melhor é um sono bem bêbado na praia. A praia, seu outro mundo. Se sentia mais a vontade que no quarto, mas no quarto pensava. O quarto era dele. O quarto era ele. Morava na praia, vivia na areia. Sonhava com o quarto. Sonhava com um quarto. Era feliz só com o sonho. Nunca quis um quarto, na verdade gostava era da fantasia. "O melhor é um sono bem bêbado na praia".

28 de junho de 2012

Vida nova, velha vida

Início de férias, quase uma vida nova. Novos ares, lavando a alma para mais quatro meses de guerra. Esse ano que até agora vem sendo o melhor e mais agitado. Festa, amigos, shows, agitação. Animação. Férias, hora de juntar tudo isso. Viagem pode chegar. Não quero descansar, não quero rotina, não quero nada, só o agora. Viver o agora, curtir o agora. Que essas férias sejam memoráveis, que sjam lembradas. Tristeza só serve pra valorizar a alegria, então que chegue em uma noite. E só. Felicidade, essa é a palavra. Hora de se preparar, já é tempo de curtir.

8 de junho de 2012

Infinito ao meu redor

Um vento, uma onda. Um segundo. Um segundo vento, areia voando, música tocando. Ler um livro nessas circunstâncias não parece bom, mas isso apressava a leitura do livro, o que, para o livro, era melhor. Não estava frio nem calor, 25 graus, sol e vento. Perfeito. Mas o tempo, assim como o livro, passa rápido e já é hora de ir pra casa. Poderia ficar mais tempo, mas quero ir pra casa com calma, pensando sobre o livro, ou talvez não. Deixar os pensamentos fluírem. Como começar? Não sei, deixa começar, deixa rolar. Até que o livro era bom, ao contrário do que disseram. Já volto, vou pensar. Pensar em quê? Não está fluindo do jeito que eu queria, vou botar uma música pra ver se ajuda. “Crystalised”. Pronto, agora vai. Mente aberta, pensamentos a mil. Pensamento bom, a praia hoje ajudou. Quero voltar, mas já estou no ônibus. Amanhã volto. Já volto, vou pensar.

28 de maio de 2012

Gigante não, enorme.


Dois jogos. 360 minutos. Duas decepções. Mesmo campeonato, diferentes fases, diferentes anos, diferentes histórias, diferentes contextos. Mas muito igual. Confiança, isso que fazia a semelhança dentre tantas diferenças. Coragem, garra, é guerra. Era guerra. Sempre será, sempre terá confiança, sempre sairei feliz. Mas só depois que a ficha cair. Mas ela não precisará cair. Nunca mais também não, mas bons tempos estão por vir. “Nunca ganhará” dirão os rivais. “Sempre ganharemos” direi para replicar. E quando vier a derrota será o mesmo sentimento, a mesma procura por (in)felizes coincidências, respostas nos astros, na terra, no ar, no dia, na hora, em tudo. E quando a vitória vier será festa, uma eterna festa, como tem sido até hoje, com pequenas pausas para respirar e deixar os outros dançarem. Mas até que a gente gosta de dançar, mesmo que seja suando e feio, o que vale é o espírito. Amor, nada mais que amor. Uma das razões da (eterna) felicidade é ter coisas que te deixam feliz na maior parte do tempo. Acabo de citar uma.

19 de abril de 2012

Cultive o silêncio

Elevador foi feito pra pensar, essa é a real função dele pra mim.  Na verdade não, mas eu odeio TV no elevador, ela desconcentra. Mas naquele elevador não tinha televisão e eu estava sozinho. Resolvi pensar, ficar em silêncio. Entrou alguém no elevador, não reparei no rosto, o mundo tava em segundo plano. Ele de repente me puxa pro mundo de novo com uma pergunta clichê: “tá calor hoje, né?” Respondo, educadamente, que sim e volto ao silêncio. Ele entendeu: elevador é lugar pra pensar. Eram 12 andares, dava pra refletir sobre alguma coisa pequena. Ou refletir pouco sobre alguma coisa grande.  Acho que o elevador parou, porque a reflexão foi eterna, eu perdi a noção do tempo. Foram milhões de pensamentos e aquilo fez bem. Tirei conclusões, elaborei questões que passei a prestar mais atenção sobre as mesmas. O silêncio pode ser uma mistura de razão e emoção, basta você saber a dosagem. A pessoa que entrou ficou em silencio, mas não sei se praticou o silêncio. Mas eu não o ouvi até a gente sair pela porta e ser tomados pelo barulho de carros e pessoas.

Compartilhe o silêncio, às vezes faz bem. Mais que compartilhar, cultive. O silêncio é possível até no lugar mais barulhento. O silêncio te dá respostas e te faz perguntas. Faça perguntas em um dia e as responda depois.

11 de abril de 2012

Pare e lave a alma!

Atchim. É, to gripado. Deve ter sido por causa daquele banho de chuva. E que banho de chuva. Mas não pode ser, já faz algumas semanas que eu não tomo banho de chuva. Queria que isso fosse rotina. Aquele banho foi melhor que muito banho no chuveiro que eu já tomei. Aquela semana foi a mais agitado do ano. Mais agitada? Não, foi a mais decepcionante. A frase daquela semana era "há males que vêm pro bem". E passado esse tempo eu afirmo que realmente há maled que vêm pro bem. O banho foi bom por isso. Lavou a alma. Não lavava a alma desde aquele banho na cachoeira. Atchim. É melhor eu tomar um remédio. Quando melhorar vou tomar um banho na cachoeira. Vem comigo?

4 de abril de 2012

Não existe amor em SP

Tarde chuvosa. É, São Paulo é sempre igual. Trânsito na marginal. Toca Caetano no rádio e uns garotos vêm me pedir esmola. Ando mais um pouco e vejo um casal correndo na chuva. Pareciam felizes, mas andavam separados. Andavam não, corriam. Por que corriam? E por que separados? Eu acho que estavam brincando, mas o motorista do carro ao lado parece que não, ele olhou com uma cara de preocupado. Ando mais um pouco e a música muda. "Não existe amor em SP". Quero chegar logo em casa e fico com a música e o casal na cabeça. Afinal, existe amor em SP? Desculpa, Criolo, mas discordo de você, o amor está nos olhos de quem vê.

29 de março de 2012

Não esteja vindo, venha!

- Anda, vem pra cama!

- Já vou, deixa eu só terminar o texto.

Era sempre um texto. Sempre com essa demora. Escrevia pra ninguém, ao mesmo tempo que era pra todos. Ela não sabia o que era. Perguntava sempre, mas eu sempre saia com a resposta:

- É o amor. Qual a graça no amor se não o seu mistério?

Ela aceitava essa resposta, nunca ficava insistindo. Nunca gostei dessa resposta, mas ela não era de insistir. Ela não gostava de discutir. Ela é o amor. Misteriosa que nem ele. Um dia mostrarei-a o texto. Eu acho que ela os procura quando não estou. É mais um mistério sobre o texto misterioso para a misteriosa. Vou parar de escrever, ela tá quase dormindo.

- Estou indo, amor!

- Não esteja vindo, venha!

Ela aceitava a minha resposta, hora de aceitar a dela.

15 de março de 2012

Singularize

E no meio daqueles milhares que estavam com ele, ele era o único sozinho. Numa vibe diferente. Numa vibe boa. Era estranho vê-lo assim, extasiado, num mundo singular. Ele, aquele que sempre arranjava algum defeito na sua vida mas sempre via uma qualidade na vida dos outros. Pseudo-otimista, digamos assim. Era sempre assim, menos hoje. Ninguém o notava, eram muitos e estavam ocupados. Ocupados não, se ocupando. E ele sempre com fone de ouvido, inclusive agora. A música fazia parte daquele silêncio. A música interagia com o seu mundo, que durante um tempo foi só dele. Um tempo nada, no máximo 10 minutos. Para ele era uma eternidade. Calma, espera. Ainda não acabou, deixe-o curtir esse final...

23 de fevereiro de 2012

Atende, amor.

Liguei 4 vezes. Ela não me atendeu. Começo a achar que é perseguição. E as chamadas não terminavam, Elas eram desligadas no meio. Vou dormir. Frustrado. Amanhã tentarei de novo. Mas antes tento ligar para casa. tuuu-tuuuu. "Você telefonou para 2267-9897, após o sinal deixe a sua mensagem. Obrigado" piiii:

- Eu liguei 4 vezes para o seu celular e você ignorou todas. Estou cansando desse charme, nós precisamos conversar. (Não, não ia terminar, só queria vê-la de novo). Eu acho que Woody Allen é um ótimo diretor. (Ela ama os filmes do Woody Allen) Por que eu to falando isso? Não sei, na verdade. Mas quero conversar. Com você. Eu te amo.

Amanha ligarei de novo. Talvez. E se ela não atender? Tentarei de novo e de novo. Sou persistente, quase chato. Talvez até chegue com uma rosa na sua casa. Rosa não, não suporto clichês e ela sabe disso. (Talvez até me criticasse por isso.) Vou chegar sem nada, arrumado e chamando-a para sair. Chego de surpresa? Ela nunca me disse se gostava ou não. Vou surpreendê-la e esperarei ela se arrumar e nesse dia não reclamarei da sua demora, ela irá gostar. É o amor né.

Ela não me atendeu e não me retornou as ligações. Eu passei na casa dela, Como tinha prometido. Sem flores mas com boa vontade e paciência. Ela não estava em casa. Ela estava me evitando, e muito. Parei, queria esquecê-la, já que ela não gostava de mim. Se passaram duas semanas, das quais passei 10 dias em casa e outros 4 em festas que meus amigos me levavam. Estava triste, em depressão. Estava mais triste ainda por saber que ela já havia me amado e me esqueceu. Era uma quinta-feira, sol e bastante frio. daqueles dias em que ficar vendo filme (acompanhado) é a melhor coisa. O telefone toca. Atendo, por impulso, falando:
- Oi mãe!

-Não é a sua mãe, responde a voz que eu sempre achei parecida com a da Céu.

-Oi, fala.

Tentei ser grosso, mas a minha voz demonstrava tal tristeza.

-Eu estou preocupada com você, você não ligou mais. Você não me ama mais?

-E como amo.

-Então por que você não está me procurando mais?

-Por que você não me ama mais.

-Quem disse isso? Eu te amo, muito, mas não sabia se você me amava. Queria me sentir amada. Aquele dia que você foi lá em casa eu estava feia, você não deveria ter chegado de surpresa, você deveria ter me...
Interrompo-a:
-Achei que seria legal te surpreender.

-Mas você fala que eu demoro para me arrumar.

-Naquele dia não.

-Vamos sair, vamos ver um filme. Qual é o nome daquele filme que você gosta? 400 dias...

- 500 dias com ela. Mas você não suporta esse filme.

(Eu ainda estava triste, aquela dor não passaria assim.)

-Mas eu amo você.

Um sorriso instantâneo abre no meu rosto. Discutimos naquele dia, mas só porque eu a dei uma rosa. Ela também não gosta de clichês.

13 de fevereiro de 2012

Meus olhos sorrindo

- Toca Carinhoso!
Era hora. O bloco para. Todo mundo olha para a tal janela daquela senhora. Começa a melodia. Começam a cantar. A moça do lado começa a chorar. Vamos, não posso chorar. Afinal, "boys don't cry". Ela lembra a minha avó. Merda, o choro tá vindo. Dois amigos se abraçam e choram e cantam juntos. É, homens choram. Não resisto, desabo em lágrimas e em sentimentos impossíveis de descrever. Canto junto. Cai a última lágrima. "E só assim então serei feliz. Bem feliz.

1 de fevereiro de 2012

Aquela conversa que não terminamos ontem.

Ficou tudo branco. De repente todo mundo de branco. Quero falar com a Cássia Eller. Renato Russo também. Eles devem estar juntos. Quem mais pode estar com eles? Esquece, aqui é muito grande. Calma aí, que música é essa? "Vá morar com o diabo"? Não é possível, a Cássia tá perto. Ela morava em laranjeiras, por isso. Ela sempre ficará perto de mim.

Vou me guiando pela música e vou vendo as pessoas. Eu tava indo na direção contrária da maioria das pessoas. Elas tavam indo na direção da luz. E eu do samba.

Quando passa por mim Vinícius de Moraes.

- Vinicius? Cade a Cássia? Tá indo aonde?

- A Cássia tá nessa direção, segue a música. To indo buscar mais cerveja. Quem é você mesmo?

Continuei seguindo a direção da música, que naquela hora era "Que país é esse?". O volume tava aumentando, tava chegando perto. "Luz dos Olhos" tocando. Acho que era o Nando Reis cantando.

Avistei os cabelos bagunçados da Cássia. Fui correndo.

- Cássia?!?!

Ela virou:

- Você mora em Laranjeiras né?? Seu rosto não é estranho. Puxa uma cadeira e canta junto. Você bebe?

- Hoje sim. (não é sempre que podemos beber com a Cássia.)

Na rodinha estavam Renato Russo, Cazuza, Tom Jobim, Elis Regina e alguns outros.

Cantamos umas 27 músicas e bebemos quase 100 cervejas. Perdi a noção do tempo. Nessa hora tocava " O tempo não pára".

- Rapaziada, to indo, preciso voltar lá pra baixo. Mas antes, assina aqui no papel.

- Mas já? Não sei nem seu nome.

- Nem precisa, um dia volto e vocês lembrarão de mim. Se lembrarem falo meu nome.

Peguei o papel assinado e desci.

- Acorda, acorda, filho!

Abri os olhos e botei a mão no bolso, por impulso.

"Volta cantando e bebendo mais. Beijão, Cássia Eller."

30 de janeiro de 2012

Onde um Pinto, um pintinho e um Pintão se encontram.

(Eu gostaria de agradecer aos meus amigos Lucas Pinto e Lucas Marques e ao meu irmão Victor Tavares por me proporcionarem essa noite épica.)
- Fala aí, amigo. Vai passar a luta aí?
- Luta? Não, a gente tá vendo filme.
Naquele momento percebi que eu não veria a luta.
- Coé Pinto, não vai passar a luta aqui não, vou ver com o Lipe aonde a gente vai ver.
Droga, ele também não sabia aonde ver.
- Lipe, não vai passar no Mercadinho não, vamos sair para procurar.
- Arranja aí e me liga.
É, o Lipe também não ia.
- Vamos pra casa do Pinto, Marques.
- Calma aí Gui, ele tá me ligando.
A esperança da luta volta, "ladies and gentleman."
- Ele disse para a gente ver a luta na casa dele. Ele compra e a gente faz uma vaquinha. 
- Porra, a luta já tá acabando. Pede para ele descer e vamos ficar de bobeira.
Será que o Chael Sonnen ganhou?
- Porra Pinto, tu tá muito feio.
- To jogador.
(Mas um jogador feio.)
- To com fome.
- Vamos no Melone então, Marques.
Nunca peçam uma pizza gg no Melone, quando forem só 4.
- Vamos pedir a gg né?
- Vocês tão maluco?? Ela é muito grande.
- Para, Pinto. A gente tá com fome.
- Mata o rato!!!
- Eu prezo pela vida dele.
- Marques, tu virou defensor de animais sujos?
Nós não matamos o rato.
- Pinto, queria ver teu pai de cueca.
- Cala a boca, Marques. A pizza já chegou.
- Vamos lá comprar um guaraná, Marques.
- Ah, Gui, to com muita preguiça.
No Varandas deve ter passado a luta.
- Pinto, sobe lá e pega copos e faca.
- Prato também?
- Não, vai na mão mesmo.
É, poderia ter pedido prato.
- Ai, Marques, minha pizza tá caindo, ai ai.
(risos, muitos risos)
- Cuidado com a barata aí, Pinto!
- Ela voaaaaa!!! AGORA A PORRA FICOU SÉRIA!
Ela voou para longe, graças a Deus.
- Queimei minha garganta!
- Cala a boca, Marques, você é todo errado.
(mais risos, muitos risos.)
A pizza era grande mesmo.
- Pinto, vamos subir, lavar a mão e deixar a pizza e um bilhete pro seu pai?
- Marques, tu é muito errado.
Na falta de papel, limpem as mãos na grama.
- O que a gente põe no bilhete?
- Põe "De: Guilherme, Marques e Victor; Para: Sr. Pintão. Para turbinar seu dia e alegrar seu churrasco."
- Marques, tu é um gênio.
Um gênio errado, mas mesmo assim um gênio.
"piu-piu"
- Que porra é essa, Marques?
- Moleque, tem um pintinho no canteiro. Ai, ai, ele tá correndo atrás da gente. Tá maluco, ele vai pensar que eu sou a mãe dele.
É, Marques, você é uma galinha.
- Pinto, acabei de te ver na rua, hahahaha.
- Sério?? Que merda, Gui! hahaha
Sr. Pintão que o diga.
- Cara, essa noite foi épica, Marques e Tikey (é, eu chamo meu irmão de Tikey.)
Épico mesmo é passar essa noite com amigos.

29 de janeiro de 2012

A (minha) história de bar.

Termina o primeiro tempo. A batata frita finalmente chega. A porção é generosa, como o garçom disse.
- Katchup, por favor.
A batata já estava esfriando quando o garçom chega. A embalagem é estranha. Ponho no prato e passo a batata. É, esse katchup é ruim. dane-se, estou com fome. A batata termina e o segundo tempo começa. Sem alterações. Pensei em pedir outro guaraná, o primeiro acabou junto com a batata. Estou sem dinheiro, ficarei "seco" até o final do jogo. O bar está vazio, deve ser por causa da chuva. Não sei qual é o time do cara da mesa ao lado. Ele grita quando a bola passa perto do gol mas fica zoando os jogadores do Fluminense e tem cara de vascaíno. Ele botou um palito na boca, deve ser vascaíno. Enquanto ele tirava o palito o Fluminense quase tomou gol. Essa partida tá com cara de 0 a 0. Chovendo, lenta e sem muita qualidade. Viro pro lado e leio o slogan do Johnnie Walker parafraseando Anita Garibaldi: "Não tenha medo de viver, de correr atrás dos seus sonhos. Tenha medo de ficar parado." deve ser um bom sinal. levanto e vou ao banheiro, vai ver eu sou pé frio. Ou só morno. Não sei se quero que o Fluminense faça gol enquanto eu estiver fora. Não, quero sim. Eu volto e tá 1 a 0, gol do estreante Anderson. Meus amigos me mandam ficar no banheiro. "Pode isso Arnaldo?". O Flu faz o segundo com W. Nem. É, não sou pé frio. O cara da mesa ao lado vibra com o gol, ele é tricolor. 40 minutos e eu peço a conta, ela deve chegar quando tiver nos acréscimos. Não, ela chega rápida. Mercenários. 3 minutos de acréscimos, já quero ir embora. Gol do Flu, Araújo. Não gosto dele, joga mal. R$30,25. Dez reais pra cada um. Deu para pagar. O jogo acaba e leio a frase pequena no slogan: "Você é do tamanho dos seus passos". Vou pra casa em passos largos.

15 de janeiro de 2012

Todo mundo tem a sua trilha sonora

Trilhas sonoras estão compostas em todos os lugares. No filme, na foto – você lembra-se da música que marcou o momento da foto? – e, principalmente na sua vida. Nos filmes elas completam a cena. Você sente medo, alegria, pena, ódio, tédio, tudo graças à trilha sonora. Você é um compositor de trilhas sonoras. As suas. Talvez fosse compositor de trilhas sonoras de filmes. Mas teria que estudar antes, pois isso, apesar de não ficar claro, necessita muita sensibilidade e conhecimento.

As trilhas são escolhidas por especialistas e nem sempre são só instrumentais. Algumas são mais famosas que o próprio filme. Algumas são ruins. Outras boas. Mas todas, repito, todas são importantes. Sem ela você não conseguiria entender a cena, ou então a cena ficaria sem sentimento. E sentimentos são importantes.

(lembra que eu falei que necessitava sensibilidade para fazer trilhas sonoras? Agora você concorda, né?)

Vai dizer que não imaginou a musiquinha?

Algumas trilhas você se lembrará para o resto da vida. Outras farão a sua vida ganhar novo sentido. Talvez até sirva de trilha sonora para a sua vida. Não completamente, porque seria plágio. Mas elas tornarão sua vida mais feliz ou mais triste. Farão os sentimentos aparecerem. Você se sentirá mais vivo. Aproveitará os momentos com mais intensidade.

Sua vida tem trilhas sonoras para tudo. Para o banho gelado nada melhor do que um rock agitado, como Slipknot, ou uma música dançante, David Guetta por exemplo. Para uma viagem cai sempre bem um John Mayer no volume médio, para incitar à uma conversa sobre a amizade. Para uma festa fica uma mistura ótima escutar House Music, em geral, ou um Rock Alternativo mais dançante, tipo What You Know da banda britânica Two Door Cinema Club.  As conversas têm muitas trilhas, depende de onde e com quem você está. Conversas de bar têm uma trilha. Conversas num churrasco têm uma trilha. Ou até uma conversa no elevador. Mas essas trilhas sonoras são mais importantes do que parecem. Imagina a tal conversa no bar com uma mulher. Não num bar, e sim no restaurante. Um jazz cairia bem. Agora uma conversa no bar com uma amiga. Que tal um samba ou uma bossa nova para descontrair.

"I love The Smiths." "Sorry?" "I said I love The Smiths." E eu amo conversar com a Summer no elevador.


Alguns caras, como John Williams, que tem nada menos que 45 indicações ao Oscar, são extremamente importantes nos filmes. John Williams compôs trilhas sonoras memoráveis, como a de Indiana Jones, Harry Potter e Star Wars. Ele é um compositor e maestro americano que merece todas as indicações.

Lembrou da música?? Palmas para John Willians.
John Williams é um dos muitos compositores de trilhas sonoras que fazem sucesso pelo mundo. Pesquise sobre trilhas sonoras e seus compositores. Crie as suas trilhas sonoras da vida.  Compartilhe-as com as pessoas, junte as trilhas sonoras. Debata o sentido delas em cada lugar com seus amigos, no bar escutando Vinícius de Moraes, e quem sabe você não muda de idéia. Ponha a trilha sonora do bar como uma trilha sonora do banho e você verá a importância delas para a vida. São coadjuvantes, mas tentam roubar o papel principal. E às vezes conseguem.