23 de fevereiro de 2012

Atende, amor.

Liguei 4 vezes. Ela não me atendeu. Começo a achar que é perseguição. E as chamadas não terminavam, Elas eram desligadas no meio. Vou dormir. Frustrado. Amanhã tentarei de novo. Mas antes tento ligar para casa. tuuu-tuuuu. "Você telefonou para 2267-9897, após o sinal deixe a sua mensagem. Obrigado" piiii:

- Eu liguei 4 vezes para o seu celular e você ignorou todas. Estou cansando desse charme, nós precisamos conversar. (Não, não ia terminar, só queria vê-la de novo). Eu acho que Woody Allen é um ótimo diretor. (Ela ama os filmes do Woody Allen) Por que eu to falando isso? Não sei, na verdade. Mas quero conversar. Com você. Eu te amo.

Amanha ligarei de novo. Talvez. E se ela não atender? Tentarei de novo e de novo. Sou persistente, quase chato. Talvez até chegue com uma rosa na sua casa. Rosa não, não suporto clichês e ela sabe disso. (Talvez até me criticasse por isso.) Vou chegar sem nada, arrumado e chamando-a para sair. Chego de surpresa? Ela nunca me disse se gostava ou não. Vou surpreendê-la e esperarei ela se arrumar e nesse dia não reclamarei da sua demora, ela irá gostar. É o amor né.

Ela não me atendeu e não me retornou as ligações. Eu passei na casa dela, Como tinha prometido. Sem flores mas com boa vontade e paciência. Ela não estava em casa. Ela estava me evitando, e muito. Parei, queria esquecê-la, já que ela não gostava de mim. Se passaram duas semanas, das quais passei 10 dias em casa e outros 4 em festas que meus amigos me levavam. Estava triste, em depressão. Estava mais triste ainda por saber que ela já havia me amado e me esqueceu. Era uma quinta-feira, sol e bastante frio. daqueles dias em que ficar vendo filme (acompanhado) é a melhor coisa. O telefone toca. Atendo, por impulso, falando:
- Oi mãe!

-Não é a sua mãe, responde a voz que eu sempre achei parecida com a da Céu.

-Oi, fala.

Tentei ser grosso, mas a minha voz demonstrava tal tristeza.

-Eu estou preocupada com você, você não ligou mais. Você não me ama mais?

-E como amo.

-Então por que você não está me procurando mais?

-Por que você não me ama mais.

-Quem disse isso? Eu te amo, muito, mas não sabia se você me amava. Queria me sentir amada. Aquele dia que você foi lá em casa eu estava feia, você não deveria ter chegado de surpresa, você deveria ter me...
Interrompo-a:
-Achei que seria legal te surpreender.

-Mas você fala que eu demoro para me arrumar.

-Naquele dia não.

-Vamos sair, vamos ver um filme. Qual é o nome daquele filme que você gosta? 400 dias...

- 500 dias com ela. Mas você não suporta esse filme.

(Eu ainda estava triste, aquela dor não passaria assim.)

-Mas eu amo você.

Um sorriso instantâneo abre no meu rosto. Discutimos naquele dia, mas só porque eu a dei uma rosa. Ela também não gosta de clichês.

13 de fevereiro de 2012

Meus olhos sorrindo

- Toca Carinhoso!
Era hora. O bloco para. Todo mundo olha para a tal janela daquela senhora. Começa a melodia. Começam a cantar. A moça do lado começa a chorar. Vamos, não posso chorar. Afinal, "boys don't cry". Ela lembra a minha avó. Merda, o choro tá vindo. Dois amigos se abraçam e choram e cantam juntos. É, homens choram. Não resisto, desabo em lágrimas e em sentimentos impossíveis de descrever. Canto junto. Cai a última lágrima. "E só assim então serei feliz. Bem feliz.

1 de fevereiro de 2012

Aquela conversa que não terminamos ontem.

Ficou tudo branco. De repente todo mundo de branco. Quero falar com a Cássia Eller. Renato Russo também. Eles devem estar juntos. Quem mais pode estar com eles? Esquece, aqui é muito grande. Calma aí, que música é essa? "Vá morar com o diabo"? Não é possível, a Cássia tá perto. Ela morava em laranjeiras, por isso. Ela sempre ficará perto de mim.

Vou me guiando pela música e vou vendo as pessoas. Eu tava indo na direção contrária da maioria das pessoas. Elas tavam indo na direção da luz. E eu do samba.

Quando passa por mim Vinícius de Moraes.

- Vinicius? Cade a Cássia? Tá indo aonde?

- A Cássia tá nessa direção, segue a música. To indo buscar mais cerveja. Quem é você mesmo?

Continuei seguindo a direção da música, que naquela hora era "Que país é esse?". O volume tava aumentando, tava chegando perto. "Luz dos Olhos" tocando. Acho que era o Nando Reis cantando.

Avistei os cabelos bagunçados da Cássia. Fui correndo.

- Cássia?!?!

Ela virou:

- Você mora em Laranjeiras né?? Seu rosto não é estranho. Puxa uma cadeira e canta junto. Você bebe?

- Hoje sim. (não é sempre que podemos beber com a Cássia.)

Na rodinha estavam Renato Russo, Cazuza, Tom Jobim, Elis Regina e alguns outros.

Cantamos umas 27 músicas e bebemos quase 100 cervejas. Perdi a noção do tempo. Nessa hora tocava " O tempo não pára".

- Rapaziada, to indo, preciso voltar lá pra baixo. Mas antes, assina aqui no papel.

- Mas já? Não sei nem seu nome.

- Nem precisa, um dia volto e vocês lembrarão de mim. Se lembrarem falo meu nome.

Peguei o papel assinado e desci.

- Acorda, acorda, filho!

Abri os olhos e botei a mão no bolso, por impulso.

"Volta cantando e bebendo mais. Beijão, Cássia Eller."