11 de maio de 2014

Neocrítica

Todo mundo sambou e uma estrela caiu. Isso a gente já sabe, Chico. Tá faltando novidade, tá faltando crítica. Beijinho no ombro pra quem duvida. O tempo passou e as coisas não se atualizaram. Ah, esqueci da tecnologia. Essa se atualiza até demais. Tá faltando samba, alegria. Sorriso. Hoje tudo é rápido, volátil. Está faltando algo que você repare e pare pra pensar que seus netos, sobrinhos, qualquer geração seguinte, dará atenção pra isso. A geração não é ruim, longe disso, só não é nova. A geração não é ruim, não mesmo, só não faz sucesso. Qualquer pessoa que procure algo novo e diferente nessa geração encontrará (ponto pro século XXI). A internet difundiu artes, culturas. Espero que pare por aí. Se o que tá faltando é novidade, imagina se globalizar.

6 de março de 2014

5 em 1


    Paulo Fender, chamado de PF pelos amigos, suspeitava que possuísse algum tipo de doença mental, mas nunca teve certeza. As pessoas ao seu redor diziam que ele tinha esquizofrenia, ele duvidava. Tinha alguém na cabeça dele dizendo que isso era mentira, que só faziam isso pra deixá-lo mal. Na cabeça de quem estava na cabeça dele existia outra pessoa falando pra ela avisar que era verdade e que ele precisava se medicar. A voz que vivia na cabeça da voz que vivia na cabeça do PF também possuía uma voz. Uma não, ela possuía duas. Uma era do bem e a outra do mal e, como era de se esperar viviam em conflito.
    PF andava na rua e achava que tava sendo seguido, mas lembrava que era só a voz da sua cabeça achando que tava sendo seguida, mas que na verdade era o bem brigando com o mal na cabeça da esquizofrenia de PF.
    Era literalmente uma festa na cabeça de PF. Ele tinha um convidado, que levava um amigo e que esse amigo levava mais dois amigos, que sempre brigavam. No final PF ficava com dor de cabeça e ia tomar um remédio, que a mãe dele dava falando que era para curar a esquizofrenia, mas a voz na cabeça dele dizia que era Dorflex. Ele tomava o remédio e de repente as vozes sumiam. Ele se sentia abandonado e saia pela rua falando com todo mundo, pois não se lembrava do rosto da voz. Quando ela voltava, ele se perguntava quando "as visitas" iam embora.
    Um dia, uma das vozes de alguma voz que estava em sua cabeça, gritou e PF escutou. Desde então gritava com todo mundo, achando que só assim iriam escutar o que ele dizia, até que foi internado. Sentia-se popular antes da internação, com vários amigos que sempre conversavam somente com ele. Sofreu vários tratamentos de choque, mas depois se sentiu triste porque não tinha mais amigos. Começou a pensar que era de fato maluco, porque não tinha amigos. Então começou a tomar remédio para bipolaridade, mas que na verdade era homeopatia para não ficar gripado.

6 de janeiro de 2014

Falsidade: descrevendo, vivendo e descobrindo

Fora a tarefa mais difícil da vida dele: tinha que escrever sobre o que não queria, não gostava e não concordava. Pra completar teria que ser com quem não simpatizava. A única boa notícia era que tinha tempo para se acostumar, se familiarizar e fazer bem feito. A má notícia é que ele sabe que seria a pior experiência da vida dele. Fazer o quê? Precisava de dinheiro e não aparecia oportunidade. Essa pagava bem e não era difícil. Era chata, a mais chata da vida. Conviveu odiando e fingindo que amava por três meses. No quarto se acostumou com isso e não odiava mais, apenas não gostava. No quinto convivia: não gostava e nem odiava, sabia conviver e fingia gostar. No sexto e penúltimo mês foi o mais difícil. Começou a gostar, porém não queria. João, o companheiro de trabalho, se mostrou ser uma pessoa legal e provou que ele é que era preconceituoso e chato. Apesar de tudo, João gostava dele. Ele não queria gostar do João, porém gostava. Odiava o fato de gostar do trabalho e do João e por isso começou a beber. Bebia com João, que passava por uma perda na família e bebia por isso. Esse mês foi arrastado, todo ele vivido procurando o ódio que tinha nos três primeiros meses. No sétimo mês, o mês da entrega do trabalho, aceitou que gostava e foi o mais divertido. O texto acabou ficando bom, João acabou sendo seu melhor amigo. Quando entregou percebeu que era mentira: João era insuportável, bebia porque era alcoólatra, o texto era chato, o assunto era chato. Odiou os sete meses, principalmente o último. Era falso, foi falso até consigo mesmo.