28 de setembro de 2013
Solo
Mal sentiu, mas seus pés saíram do chão. Ele flutuava, literalmente. Quando se deu conta achou que estava sonhando. Como pode alguém voar? Ele voava. Ele amava. Aquela sensação nunca sentida antes o fez querer nunca mais provar outra. Ele subia, ia cada vez mais alto. Nessas circunstâncias não existia queda. Talvez a queda fosse bom. Ele iria poder voar mais e mais alto sem nem saber o que era isso. Não havia preocupação. Não queria saber de nada, só de voar. Ele estava conseguindo: voava, não sabia pra onde, não sabia porque, não sabia como. Voava, apenas. Ninguém o via voando, ninguém tinha capacidade de entender isso. Lá do alto, olhava tudo e todos com pena, por não saberem como era voar. Voltou a não pensar em nada e assim continuou seu vôo solo. De repente, não conseguiu mais subir. Caía, não em queda livre, mas caía. Gostou dessa sensação, mas não queria nenhuma outra senão a de voar. Pousou, ninguém reparou. Sua vida mudara, viveu procurando voar. Não conseguiu. Sonhava com vôos. Comprou um avião: não era a mesma coisa. Pulou de paraquedas: nada demais. Outro dia, na mesma rua do primeiro vôo, anos depois, vôou novamente. Olhou pra baixo e viu um amontado de pessoas. Quis descer pra ver. Não conseguiu, estava preso no ar. Voou daquela vez como se fosse a última. Morreu longe do seu corpo, no lugar aonde viveu procurando.
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