Antes de ir ao bloco troca de celular,
passa o chip pra um mais velho. Pega a cerveja que deixou gelando pra tomar no
caminho e abre. Desceu maravilhosamente bem, principalmente pelo calor do dia e
frio da cerveja que, segundo ele, nunca combinam tão bem quanto no carnaval.
Calça o seu All Star mais velho, aquele branco com listras vermelha e azul
quase na sola, já todo sujo, do jeito que ele prefere. Merda!, apoiou a cerveja
no móvel de madeira e deu uma manchadinha. Depois ele veria que era só água e
que sairia com um papel higiênico comum. Vai correndo porque o bloco já está
começando. Acaba de lembrar que são 10 e pouquinha da manhã e já começou a beber.
Ah!, é carnaval. Vai andando num ritmo acelerado para a rua do bloco que era a
15 minutos da rua que ele morava. Só parou pra comprar outra cerveja que,
apesar de não estar tão gelada, desceu tão bem quanto a primeira devido a sua
sede.
Vai, curte o bloco e no final vira pro amigo
e faz um cinco com os dedos e os dois começam a rir. O amigo faz um quatro,
como resposta. Pelo número menor, que dá pra imaginar o que significava, o
amigo paga uma cerveja para ele e essa, com sabor de vitória, foi a melhor do
dia. (E olha que já tinham sido mais de dez!).
Já são 17 e muito e eles vão para outro bloco, perto de onde ele
mora. No final do bloco o mesmo ritual, a conta zera e o amigo faz um três com
os dedos. Ele levanta com um sorriso de orelha a orelha o dedo do meio. Um.
Agora é ele quem paga a cerveja. Gosto de derrota, pensa ele. Mas logo olha
para o amigo e fala baixo, como se não quisesse falar, só pensar: "Gosto
de amizade!" Ao final do dia, vícios e amigos. Foi assim por todo o
carnaval.

