19 de abril de 2012

Cultive o silêncio

Elevador foi feito pra pensar, essa é a real função dele pra mim.  Na verdade não, mas eu odeio TV no elevador, ela desconcentra. Mas naquele elevador não tinha televisão e eu estava sozinho. Resolvi pensar, ficar em silêncio. Entrou alguém no elevador, não reparei no rosto, o mundo tava em segundo plano. Ele de repente me puxa pro mundo de novo com uma pergunta clichê: “tá calor hoje, né?” Respondo, educadamente, que sim e volto ao silêncio. Ele entendeu: elevador é lugar pra pensar. Eram 12 andares, dava pra refletir sobre alguma coisa pequena. Ou refletir pouco sobre alguma coisa grande.  Acho que o elevador parou, porque a reflexão foi eterna, eu perdi a noção do tempo. Foram milhões de pensamentos e aquilo fez bem. Tirei conclusões, elaborei questões que passei a prestar mais atenção sobre as mesmas. O silêncio pode ser uma mistura de razão e emoção, basta você saber a dosagem. A pessoa que entrou ficou em silencio, mas não sei se praticou o silêncio. Mas eu não o ouvi até a gente sair pela porta e ser tomados pelo barulho de carros e pessoas.

Compartilhe o silêncio, às vezes faz bem. Mais que compartilhar, cultive. O silêncio é possível até no lugar mais barulhento. O silêncio te dá respostas e te faz perguntas. Faça perguntas em um dia e as responda depois.

11 de abril de 2012

Pare e lave a alma!

Atchim. É, to gripado. Deve ter sido por causa daquele banho de chuva. E que banho de chuva. Mas não pode ser, já faz algumas semanas que eu não tomo banho de chuva. Queria que isso fosse rotina. Aquele banho foi melhor que muito banho no chuveiro que eu já tomei. Aquela semana foi a mais agitado do ano. Mais agitada? Não, foi a mais decepcionante. A frase daquela semana era "há males que vêm pro bem". E passado esse tempo eu afirmo que realmente há maled que vêm pro bem. O banho foi bom por isso. Lavou a alma. Não lavava a alma desde aquele banho na cachoeira. Atchim. É melhor eu tomar um remédio. Quando melhorar vou tomar um banho na cachoeira. Vem comigo?

4 de abril de 2012

Não existe amor em SP

Tarde chuvosa. É, São Paulo é sempre igual. Trânsito na marginal. Toca Caetano no rádio e uns garotos vêm me pedir esmola. Ando mais um pouco e vejo um casal correndo na chuva. Pareciam felizes, mas andavam separados. Andavam não, corriam. Por que corriam? E por que separados? Eu acho que estavam brincando, mas o motorista do carro ao lado parece que não, ele olhou com uma cara de preocupado. Ando mais um pouco e a música muda. "Não existe amor em SP". Quero chegar logo em casa e fico com a música e o casal na cabeça. Afinal, existe amor em SP? Desculpa, Criolo, mas discordo de você, o amor está nos olhos de quem vê.