O seu alter ego pensava
sempre o contrário que ele. Se ele pensava em sim, o alter ego pensava em não.
O alter ego media as decisões, fazia pensar se elas eram realmente certas ou
erradas. Ele era o contrapeso das decisões. Ele fê-lo pensar em todas as decisões.
Chegou até a pensar se era esquizofrênico, mas sabia que não era. Começou a
perceber que o alter ego era contra todas as decisões que ele fazia e negava o
pensamento do alter ego. O alter ego conseguiu perceber que ele havia percebido
aquilo e resolveu sempre acordar com o que ele pensava e ele passou a concordar
com o alter ego. Ficou nesse jogo durante meses: decisões erradas foram
tomadas. Certas também. Mas as erradas tiveram mais repercussão. O Alter Ego
percebeu que tinha cumprido sua missão; fê-lo pensar em todas as decisões.
Desde então, nunca mais se arrependeu de nenhuma decisão, certa ou errada.
Pensava antes de decidir. Orgulhava-se disso. O alter ego e ele!
28 de dezembro de 2013
10 de dezembro de 2013
Solitude Is (Not) Bliss
Toda vez que ele saía do
carro ele estava em um lugar diferente. Lugar diferente não no sentido
figurativo, no literal mesmo. Abria a porta e estava na lua. Abria de novo e
voltava pra terra. O carro era um teletransporte. Mas tudo estava mais devagar.
Era como se a frequência de batimentos cardíacos estivesse tão alta que o mundo
ficara mais devagar. Ele abriu a porta. Chegou a um planeta diferente. Ao mesmo
tempo em que tinha o solo que nem a Lua, a cor dele era mais alegre. Mas o
planeta dava uma sensação de tristeza. De repente é a solidão, pensou. Ele andou
sozinho, a pé, com medo de sair daquele planeta diferente. A solidão chamou a
atenção dele. Fê-lo pensar na última vez que esteve sozinho; na última vez que
se sentiu sozinho. Ele gostava da solidão. Nunca soube por que e nem como
buscar a solidão. Solidão pra ele é um estado de espírito. É o mais alto nível
de plenitude que uma mente pode chegar, dizia ele sobre a solidão. A solidão o
prendeu no planeta diferente. Nesse momento ele quis sair. Mas se perdeu. Tornou-se
escravo da solidão. Corria e não saia do lugar. Pedir ajuda a quem, se estava
sozinho. Pela primeira vez ele não quis a solidão. Pela primeira vez ele se
perdeu na solidão. E, sozinho, pela primeira vez quis alguém.
P.S.: texto escrito após o show do Tame Impala no Circo Voador
8 de dezembro de 2013
Dois Em Cena
Eram duas vidas. Duas pessoas. Duas esquinas em Botafogo. Quando a perguntavam qual preferia ela respondia "Je ne sais pas", seguido de um sorriso no canto da boca com uma pitada de ironia. Essa ironia que era a sua característica da qual mais se orgulhava, ironicamente. Apaixonou-se por um, amava o outro. Não eram amores iguais, mas eram amores na mesma medida. Ambos transbordavam paixão. Um amou pela primeira vez sóbria. Já o outro não lembra nem como começou a amar. Por um morreria. Por outro mataria. Quanto mais conhecia um, mas criticava o outro. E isso era com os dois. Falou que amava mais um para o outro e falou que amava mais o outro para um. Ria dos ciúmes dos dois. Tinha dúvida se queria mais um do que o outro. No dia seguinte se perguntava se queria os dois igualmente. Um dia depois queria saber se amava algum. Morreu, junto com suas paixões, sem saber se amava os dois ou se não amava nenhum.
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