6 de março de 2014

5 em 1


    Paulo Fender, chamado de PF pelos amigos, suspeitava que possuísse algum tipo de doença mental, mas nunca teve certeza. As pessoas ao seu redor diziam que ele tinha esquizofrenia, ele duvidava. Tinha alguém na cabeça dele dizendo que isso era mentira, que só faziam isso pra deixá-lo mal. Na cabeça de quem estava na cabeça dele existia outra pessoa falando pra ela avisar que era verdade e que ele precisava se medicar. A voz que vivia na cabeça da voz que vivia na cabeça do PF também possuía uma voz. Uma não, ela possuía duas. Uma era do bem e a outra do mal e, como era de se esperar viviam em conflito.
    PF andava na rua e achava que tava sendo seguido, mas lembrava que era só a voz da sua cabeça achando que tava sendo seguida, mas que na verdade era o bem brigando com o mal na cabeça da esquizofrenia de PF.
    Era literalmente uma festa na cabeça de PF. Ele tinha um convidado, que levava um amigo e que esse amigo levava mais dois amigos, que sempre brigavam. No final PF ficava com dor de cabeça e ia tomar um remédio, que a mãe dele dava falando que era para curar a esquizofrenia, mas a voz na cabeça dele dizia que era Dorflex. Ele tomava o remédio e de repente as vozes sumiam. Ele se sentia abandonado e saia pela rua falando com todo mundo, pois não se lembrava do rosto da voz. Quando ela voltava, ele se perguntava quando "as visitas" iam embora.
    Um dia, uma das vozes de alguma voz que estava em sua cabeça, gritou e PF escutou. Desde então gritava com todo mundo, achando que só assim iriam escutar o que ele dizia, até que foi internado. Sentia-se popular antes da internação, com vários amigos que sempre conversavam somente com ele. Sofreu vários tratamentos de choque, mas depois se sentiu triste porque não tinha mais amigos. Começou a pensar que era de fato maluco, porque não tinha amigos. Então começou a tomar remédio para bipolaridade, mas que na verdade era homeopatia para não ficar gripado.