Toda vez que ele saía do
carro ele estava em um lugar diferente. Lugar diferente não no sentido
figurativo, no literal mesmo. Abria a porta e estava na lua. Abria de novo e
voltava pra terra. O carro era um teletransporte. Mas tudo estava mais devagar.
Era como se a frequência de batimentos cardíacos estivesse tão alta que o mundo
ficara mais devagar. Ele abriu a porta. Chegou a um planeta diferente. Ao mesmo
tempo em que tinha o solo que nem a Lua, a cor dele era mais alegre. Mas o
planeta dava uma sensação de tristeza. De repente é a solidão, pensou. Ele andou
sozinho, a pé, com medo de sair daquele planeta diferente. A solidão chamou a
atenção dele. Fê-lo pensar na última vez que esteve sozinho; na última vez que
se sentiu sozinho. Ele gostava da solidão. Nunca soube por que e nem como
buscar a solidão. Solidão pra ele é um estado de espírito. É o mais alto nível
de plenitude que uma mente pode chegar, dizia ele sobre a solidão. A solidão o
prendeu no planeta diferente. Nesse momento ele quis sair. Mas se perdeu. Tornou-se
escravo da solidão. Corria e não saia do lugar. Pedir ajuda a quem, se estava
sozinho. Pela primeira vez ele não quis a solidão. Pela primeira vez ele se
perdeu na solidão. E, sozinho, pela primeira vez quis alguém.
P.S.: texto escrito após o show do Tame Impala no Circo Voador


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