8 de dezembro de 2013

Dois Em Cena

Eram duas vidas. Duas pessoas. Duas esquinas em Botafogo. Quando a perguntavam qual preferia ela respondia "Je ne sais pas", seguido de um sorriso no canto da boca com uma pitada de ironia. Essa ironia que era a sua característica da qual mais se orgulhava, ironicamente. Apaixonou-se por um, amava o outro. Não eram amores iguais, mas eram amores na mesma medida. Ambos transbordavam paixão. Um amou pela primeira vez sóbria. Já o outro não lembra nem como começou a amar. Por um morreria. Por outro mataria. Quanto mais conhecia um, mas criticava o outro. E isso era com os dois. Falou que amava mais um para o outro e falou que amava mais o outro para um. Ria dos ciúmes dos dois. Tinha dúvida se queria mais um do que o outro. No dia seguinte se perguntava se queria os dois igualmente. Um dia depois queria saber se amava algum. Morreu, junto com suas paixões, sem saber se amava os dois ou se não amava nenhum.

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