5 de janeiro de 2013

Memória Móvel


    Através da cortina limitada, um tênue brilho anuncia o raiar do dia. Esfrego o olho, tá meio embaçado ainda. Ponho o óculos e começo a reconhecer tudo ao meu redor.
    O que aconteceu ontem? Cadê meu celular? Como cheguei em casa? Perguntas e mais perguntas. As respostas foram aparecendo. O celular ficou na calça jeans, a mesma que eu usei ontem e que serviu de pijama pra essa noite de sono. Ou foi dia? Que horas eu cheguei, afinal? Não acredito, mandei mensagem pra ela de novo. "Tenho saudades de nós" "Eu já te esqueci, me liga se quiser ser meu amigo." Não, não quero ser amigo dela. As memórias deletadas vão sendo resgatadas aos poucos.
    “’Cheguei!’ A primeira coisa que pensei. Tento reconhecer o lugar dando uma de Sherlock Holmes mas a tentativa foi falha. Não to entendendo o que eu estou fazendo aqui. Cadê meus amigos? Aqui tem pessoas, cadê gente? Sigo andando, procurando algo que chame a minha atenção. É um mundo novo, talvez seja por isso que esteja estranhando. As coisas continuam sem chamar a minha atenção. Vou andando mais, conhecendo, vendo mais a excentricidade dessa gente. Essa gente que antes, a pouco menos de 2 minutos, eram apenas humanos crus. Meus olhos ficam fixados a cada olhar. Acabou que eu que tive que me adaptar. Mas foi tudo tão fácil, tomara que seja assim, a partir de agora. Estranhamento, nada mais que isso. Sinto falta de alguma coisa. (foi nessa hora que eu mandei a mensagem) Não me leve a mal, me leve apenas para andar por aí. Prefiro assim."
    Ainda não quero ser amigo dela.

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