6 de janeiro de 2014

Falsidade: descrevendo, vivendo e descobrindo

Fora a tarefa mais difícil da vida dele: tinha que escrever sobre o que não queria, não gostava e não concordava. Pra completar teria que ser com quem não simpatizava. A única boa notícia era que tinha tempo para se acostumar, se familiarizar e fazer bem feito. A má notícia é que ele sabe que seria a pior experiência da vida dele. Fazer o quê? Precisava de dinheiro e não aparecia oportunidade. Essa pagava bem e não era difícil. Era chata, a mais chata da vida. Conviveu odiando e fingindo que amava por três meses. No quarto se acostumou com isso e não odiava mais, apenas não gostava. No quinto convivia: não gostava e nem odiava, sabia conviver e fingia gostar. No sexto e penúltimo mês foi o mais difícil. Começou a gostar, porém não queria. João, o companheiro de trabalho, se mostrou ser uma pessoa legal e provou que ele é que era preconceituoso e chato. Apesar de tudo, João gostava dele. Ele não queria gostar do João, porém gostava. Odiava o fato de gostar do trabalho e do João e por isso começou a beber. Bebia com João, que passava por uma perda na família e bebia por isso. Esse mês foi arrastado, todo ele vivido procurando o ódio que tinha nos três primeiros meses. No sétimo mês, o mês da entrega do trabalho, aceitou que gostava e foi o mais divertido. O texto acabou ficando bom, João acabou sendo seu melhor amigo. Quando entregou percebeu que era mentira: João era insuportável, bebia porque era alcoólatra, o texto era chato, o assunto era chato. Odiou os sete meses, principalmente o último. Era falso, foi falso até consigo mesmo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário