30 de outubro de 2012
Zé do Caroço
Cigarro na mão direita. Pernas cruzadas e a mão esquerda repousando sob as mesmas. Comentários pontuais. Ele sempre levanta a mão antes de falar, é Só mais uma mania dele. Enquanto todos reclamavam da chuva ele levanta a mão e fala:
- Rio de Janeiro é bonito até com chuva, ô cidade do caralho!
O silêncio prevaleceu, nada puderam fazer a não ser concordar. Tinha mania de falar palavrão, todas as frases dele tinham pelo menos um. "A alma guarda o que a mente tenta esquecer", dizia ele, que tinha Nego Drama, dos Racionais, como mantra.
O assunto chega, então, na violência do Rio. Ele apaga o cigarro, levanta a mão e fala com autoridade:
- Mano, não morra. Mas também não mate.
De novo concordaram com ele, mas dessa vez o assunto continuou e chegou no mensalão. Uma pessoa da mesa questiona se 40 anos de cadeia não seria muito. Zé logo respondeu, com autoridade (dessa vez sem levantar as mãos):
- Vai se fuder, porra, roubaram nosso país.
Logo depois, como despedida, levanta a mão e fala num tom moderado. "Viva a alienação carioca." E então se levanta, termina a sua cerveja e vai para sua casa no Morro do Pau da Bandeira, fumando o último cigarro do maço.
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