- Anda, vem pra cama!
- Já vou, deixa eu só terminar o texto.
Era sempre um texto. Sempre com essa demora. Escrevia pra ninguém, ao mesmo tempo que era pra todos. Ela não sabia o que era. Perguntava sempre, mas eu sempre saia com a resposta:
- É o amor. Qual a graça no amor se não o seu mistério?
Ela aceitava essa resposta, nunca ficava insistindo. Nunca gostei dessa resposta, mas ela não era de insistir. Ela não gostava de discutir. Ela é o amor. Misteriosa que nem ele. Um dia mostrarei-a o texto. Eu acho que ela os procura quando não estou. É mais um mistério sobre o texto misterioso para a misteriosa. Vou parar de escrever, ela tá quase dormindo.
- Estou indo, amor!
- Não esteja vindo, venha!
Ela aceitava a minha resposta, hora de aceitar a dela.
Nenhum comentário:
Postar um comentário