As músicas, ou melhor, os estilos de música são facilmente transformados numa mulher e então imaginados como se fossem uma e como viveriam.
A bossa-nova, por exemplo, seria a que usa um vestido-curto-e-florido, somado a um óculos escuro simples, que servisse só para amenizar os raios solares e não como acessório, a uma sandália rasteira que ficasse presa aos pés e, para terminar, a um arco para organizar o cabelo ou um chapéu, esse sim servindo de acessório. Frequentaria a Rua do Lavradio, a Praça São Salvador e não iria à festas, sendo mais chegada a encontros em casas de amigos, embora sua casa estivesse sempre aberta. A bossa-nova seria (é) sexy e um pouco vulgar.
| A mulher-bossa-nova indo se divertir em algum local comum às mulheres-bossa-nova |
O jazz seria a mulher uma década mais velha que a bossa-nova - que vive seus 25 anos - e andaria com um vestido médio, escuro, com um colar que brilhasse, embora não roubassem as atenções do vestido. Gostaria de usar brincos pequenos, porém charmosos, como uma pérola, e um salto-alto-médio, só para melhorar a postura. Frequentaria bares fechados que cheirassem a charuto, com o som nem-auto-nem-baixo com um pouco de reverb (este com um pouco de chiado devido à idade), e os seus frequentadores conversariam sentados, servidos por um garçom conhecido e respeitado por todos. Chamaria a bossa-nova para seus bares, embora essa só fosse uma vez por semestre. Mesmo assim manteriam contato. Seria sexy sem ser vulgar.
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| O provável lugar de encontro das mulheres-jazz. |
O samba usaria sandália rasteira ou havaiana, shortinho e uma blusa regata lisa. Chamaria atenção não pelo corpo ou pela beleza, mas sim pelo molejo. A mulher-samba dançaria como poucas. Seria amiga da bossa-nova e acharia a mulher-jazz metida. O cabelo seria solto, curto e seria arrumado em não mais que cinco minutos. Repetindo, o charme estaria na dança. Tomaria cerveja, teria muitos amigos e frequentaria a casa deles, a rua deles, a sua rua, mas a sua casa não receberia os amigos, devido a bagunça, que a faria sair mais de casa. Essa bagunça não seria intolerável, mas ela acharia que sim. Sexy, menos vulgar que a bossa-nova, porém menos respeitada pelos machos que a rodeariam.
A mulher-pagode seria parecida com o samba, tentaria ser que nem ela, embora fosse esnobada. Por causa dessa rejeição seria mais vulgar e ainda mais mal-falada pelos que convivem com ela. Vestir-se-ia igual, frequentaria os mesmos lugares, com amigas parecidas, mas jamais seria o samba. Vulgar, nem tão sexy.
A mulher-Tom-Zé merece uma descrição mais simples que a outra, porém uma descrição só dela. Seria amiga de todos, respeitada por todos e exigiria muito esse respeito. Brincalhona, meio maluca, porém respeitada. Não seria bonita, até um pouco feia, mas todo mundo gostaria de avançar à segunda casa com ela.
A mulher-MPB não autorizou a escrita desse parágrafo.
Nota: caso não entenda o (não) parágrafo da MPB, procure saber.

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