30 de novembro de 2013

Prolongando


O vento batendo no rosto, os olhos lacrimejando levemente. O cabelo indo pra trás numa intensidade que me força a ajeitá-lo. As faixas no asfalto passam rápido, quase tão rápido quanto passam os postes de luz. Os arbustos não passam de um vulto e as árvores (se é que tem) não passam de sombras. O escuro do fio se confunde com o escuro do céu, que é iluminado unicamente pelas poucas estrelas, apesar do sol limpo. Se esse momento tem um defeito é este: a falta de estrelas. Sempre preferi o céu da serra. Imagina isso aqui lá. Anda, foca, ajeita o cabelo de novo e termina essa descida. Ufa! Acabou. Consigo definir as formas dos arbustos, as faixas estão mais claras e, sim, aqui tem árvores. Quero de novo. Sobe a ladeira, pensa na descida. Que ladeira enorme, mas vale a pena. Pronto, luzes passando rápido, não consigo ver os arbustos. Faixas passando rapidamente, de um lado pro outro, de um lado pro outro, de um lado pro outro. Vou pular. De um lado pro outro, de um lado pro outro. Tudo escuro. Ralei o cotovelo.

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